Três mitos sobre o investimento responsável

18/11/2020

“O que devemos alcançar na nossa atividade?”, é uma pergunta que as chefias de uma empresa poderão fazer numa reunião do conselho de administração, normalmente de uma forma retórica. Voltemos uns 20 ou 30 anos atrás e a resposta mais habitual a esta pergunta poderia bem ter sido “Concretizar valor para os acionistas da empresa.”

Queira por favor consultar o glossário para uma explicação sobre os termos de investimento utilizados ao longo deste artigo

A primeira prioridade para a maioria dos investidores de longo prazo é a valorização do seu capital para o futuro. É esta a responsabilidade que nós, enquanto gestores de ativos, assumimos como guardiões dos investimentos dos nossos clientes.

Mas, no entanto, as nossas ambições podem ser ainda mais alargadas. Podemos procurar não só investir de forma rentável ao longo dos anos, como também fazê-lo de uma forma que minimize os custos para o planeta e para a sociedade. O investimento responsável nos dá o potencial para ter sucesso nestes dois objetivos.

Persistem contudo alguns mitos que podem estar a dissuadir os investidores de porem o seu dinheiro a trabalhar melhor. Neste artigo, procuramos desfazer esses mitos.

1. É vago e indefinido

Há uma série de diferentes abordagens relativamente ao investimento responsável, e a linguagem utilizada na sua descrição pode, por vezes, ser confusa. O investimento com base nos valores ou na ética permite aos investidores evitar setores ou empresas que considerem não refletir as suas opiniões. Mas os valores são subjetivos. O que é aceitável para uma pessoa pode não o ser para outra.

Para irem além das boas intenções e aplicar rigor aos nossos esforços de investir responsavelmente, os investidores precisam de um enquadramento. A abordagem dominante passou a ser conhecida por “ASG” (“ESG” na sigla inglesa), em que fatores de índole Ambiental, Social e de Governança (ASG) são integrados nas decisões de investimento pelos gestores dos fundos.

A ASG incorpora ferramentas de análise e modelagem para identificar todos os fatores que afetam o sucesso de uma empresa no longo prazo, para além somente daquilo que as empresas divulgam sobre si próprias. Há inclusivamente notações ASG que podem ajudar a guiar os investidores, com um papel muito semelhante ao que é desempenhado pelas notações de crédito.

A aplicação de um enquadramento ASG proporciona mais do que uma consciência limpa. Se for bem-sucedido, pode proporcionar um processo repetível de gestão de riscos e de identificação de oportunidades.

Alguns dos riscos que as empresas modernas enfrentam, tanto os conhecidos como os desconhecidos, eram menos frequentes no passado e, em alguns casos, nem sequer existiam. É através da identificação dos impulsionadores não financeiros do negócio – os elementos ASG – que estes riscos podem ser devidamente compreendidos e mitigados.

É por esse motivo que, na M&G, incluímos explícita e sistematicamente as questões relacionadas com ASG na análise e decisões de investimento nos nossos fundos de ações, de rendimento fixo e imobiliários, nos aspetos em que as mesmas são significativas em termos de risco e potencial retorno.

2. É uma receita para retornos mais reduzidos

A narrativa tradicional determina, contudo, que se uma pessoa quer investir responsavelmente, deve esperar um compromisso relativamente a quaisquer retornos financeiros que receba.

Sucede que, não só este pressuposto foi desconstruído por uma série de estudos, como também há um conjunto crescente de dados e pesquisa – de Oxford a Harvard – que sugere que as estratégias de investimento que integram uma vertente ASG têm tido desempenhos superiores no longo prazo.

Uma comparação dos retornos totais de ações de empresas com pontuações ASG elevadas com o mercado bolsista global geral apoia esta noção. No período que terminou em 31 de agosto de 2020, o índice MSCI ACWI ESG Leaders, que compreende empresas com pontuações ASG superiores às dos seus pares, teve um desempenho superior ao do índice MSCI ACWI das ações das maiores empresas globais – ainda que de forma marginal – ao longo de períodos de três, cinco e 10 anos.

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O desempenho no passado não é indicativo do desempenho no futuro. O valor e rendimento dos ativos de qualquer fundo diminuirão e também aumentarão, o que fará com que o valor do seu investimento diminua e aumente. Não há qualquer garantia de que qualquer fundo alcance o seu objetivo, e o investidor poderá recuperar um valor inferior ao montante que inicialmente investiu.

As implicações de uma má governação e do desrespeito pelo ambiente, pelos trabalhadores ou pelas comunidades locais são suscetíveis de prejudicar o desempenho de uma empresa no longo prazo e, em alguns casos, de forma irreparável. Para os investidores que detêm ações ou dívida dessa empresa, tal poderá traduzir-se em perdas financeiras permanentes.

Os investidores como nós têm um papel muito importante a desempenhar. A integração da ASG no processo de investimento é mais do que apenas escolher empresas com pontuações elevadas na análise de entidades externas.

Na M&G, temos uma interação construtiva com a gestão das empresas com o objetivo de compreender melhor os pontos fortes e fracos dessas empresas no tocante a ASG e para incentivar as empresas a desenvolverem melhores práticas nessa área se for caso disso. Nos casos em que as empresas não cumprirem as normas ASG, comprometemo-nos a responsabilizá-los.

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3. É apenas uma moda

Os princípios subjacentes ao investimento ASG não são novos, mas tem havido um aumento na procura, por parte dos investidores, de fundos que apliquem estas estratégias. Com base em dados da Global Sustainable Investment Alliance , o montante investido à escala global em estratégias de responsabilidade social é superior a US$30000 mil milhões.

O crescimento dos investimentos ASG está a ser impulsionado não apenas pela procura por parte dos investidores, mas também pelo próprio setor dos investimentos. O número de gestores de fundos – incluindo a M&G Investments, desde 2013 – que subscreveram os Princípios de Investimento Responsável (PRI) da ONU aumentou acentuadamente. Os subscritores do PRI confirmam seu compromisso de incorporar questões ASG na sua análise de investimentos e nos seus processos de tomada de decisões.

Num momento em que os investidores procuram cada vez mais promover resultados positivos e mitigar de forma mais eficaz o risco nos investimentos que fazem, integrando a ASG na gestão dos investimentos – pesar todos os elementos financeiros e não financeiros de uma proposta de investimento numa empresa e interagir com as empresas nestas questões proporciona o enquadramento de eleição para a concretização destes objetivos.

As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão. O valor e rendimento dos ativos de qualquer fundo diminuirão e também aumentarão, o que fará com que o valor do seu investimento diminua e aumente. Não há qualquer garantia de que qualquer fundo alcance o seu objetivo, e o investidor poderá recuperar um valor inferior ao montante que inicialmente investiu.

Não nos é possível dar conselhos financeiros. Caso tenha qualquer dúvida sobre a adequação do seu investimento, deverá falar com o seu consultor financeiro.

Esta informação não é uma oferta nem uma solicitação de uma oferta para a aquisição de um investimento em acções em nenhum dos Fundos aqui referidos. As Aquisições de um Fundo deverão ter por base o Prospecto actual. O Acto de Constituição, Prospecto, Informações Fundamentais destinadas aos Investidores, Relatório de Investimento e Demonstrações Financeiras, estão disponíveis gratuitamente na M&G International Investments S.A. Antes de subscreverem títulos, os investidores devem ler o Prospeto, que inclui uma descrição dos riscos de investimento relativos a estes fundos. Esta divulgação financeira é publicada pela M&G International Investments S.A. Sede: 16, boulevard Royal, L 2449, Luxembourg. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, (a “CMVM”) recebeu a notificação do passaporte, nos termos da Directiva 2009/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho e do Regulamento da Comissão (EU) 584/2010, permitindo que o fundo seja distribuído ao público em Portugal.

(1) http://www.gsi-alliance.org/wp-content/uploads/2019/06/GSIR_Review2018F.pdf