O crash do coronavírus: Riscos e oportunidades em mercados emergentes

30/03/2020

Estamos a viver tempos excecionais. Apesar de as implicações da pandemia do coronavírus na economia mundial continuarem a ser incertas, os investidores têm fugido maciçamente dos ativos considerados como sendo de maior risco.

Queira por favor consultar o glossário para uma explicação sobre os termos de investimento utilizados ao longo deste artigo.

As recentes descidas registadas no preço de obrigações emitidas por governos e empresas de mercados emergentes têm sido mais rápidas do que no deflagrar da crise financeira global de 2008. As movimentações são reflexo do grau de incerteza que os mercados enfrentam.

Existem grandes discrepâncias nas previsões que concorrem entre si relativamente ao crescimento económico global – ou melhor, crescimento negativo – em 2020 e nos anos seguintes, como resultado do vírus. Há diversas previsões sobre a curso que a pandemia propriamente dita irá seguir. Apesar de estarmos a assistir a um abrandamento dos casos de coronavírus na China e na Coreia do Sul, ainda é demasiado cedo para dizer se haverá uma segunda vaga de infeções quando as pessoas voltarem a sair depois do período de isolamento.

A ameaça suscitada pelo coronavírus às economias de mercados emergentes é grave, tal como é obviamente para as vidas humanas. No entanto, os investidores podem reagir de forma exagerada e, nos casos em que se regista uma venda excessiva, podem existir oportunidades para os investidores de longo prazo.

Uma venda indiscriminada ao desbarato

O declínio registado no sentimento dos investidores relativamente às obrigações dos mercados emergentes tem sido verdadeiramente dramático. A queda dos preços fez aumentar as rendibilidades das obrigações - o potencial rendimento anual de uma obrigação como percentagem do seu preço - até níveis não vistos na última década.

Este aumento das rendibilidades reflete uma maior expectativa de que irá haver um aumento dos casos de incumprimento – governos e empresas a não conseguirem honrar os seus pagamentos aos detentores das obrigações.

Os casos de incumprimento vão, sem dúvida, aumentar em 2020 relativamente aos seus níveis atuais que estão próximos de mínimos históricos, designadamente na área empresarial. No entanto, o risco de um governo ou empresa entrarem em incumprimento relativamente ao pagamento da sua dívida depende das respetivas circunstâncias particulares.

Alguns serão gravemente afetados pelo abrandamento económico e, estando à partida numa posição vulnerável com dívida elevada e fluxos de caixa negativos, vão ter de restruturar a sua dívida. Outros, contudo, entram neste período difícil com balanços sólidos, menos dívida, o que os coloca numa posição mais forte para cumprirem os pagamentos aos detentores de obrigações durante um período difícil.

Os efeitos do petróleo barato

Outro fator crucial para os investidores em obrigações de mercados emergentes ao entrarmos neste declínio económico global é o recente colapso da cotação do petróleo.

A decisão da Arábia Saudita de aumentar a produção veio efetivamente abalar a OPEP – o cartel de países produtores de petróleo – e contribuiu para uma disparidade entre um aumento da oferta e uma quebra na procura num contexto de abrandamento da atividade económica e quebra na procura de transportes. A pouco menos de US$30 o barril, o petróleo está a ser vendido a metade do preço registado em janeiro de 2020.

Par os mercados emergentes que exportam petróleo, esta situação constitui um desafio, obviamente, e poderá em alguns casos comprometer a sua capacidade de reembolso da dívida. Alguns países, como a Rússia, têm posições orçamentais fortes para enfrentar a situação, o que significa que conseguirão lidar por agora com as quebras nas receitas do petróleo. Outros, como o Equador, não. Podemos esperar que estes governos irão tentar restruturar a sua dívida, o que implicará perdas para os detentores das suas obrigações.

Por outro lado, a baixa nos preços do petróleo é um estímulo para a balança de pagamentos para os mercados emergentes que são importadores líquidos de petróleo. Pagar menos pelas importações de energia deverá colocar economias como a da Índia numa posição mais forte para resistir ao abrandamento económico global.

Oportunidades a longo prazo

Aos preços atuais, os investidores parecem antecipar que até um em cada três governos de mercados emergentes não irá conseguir pagar os reembolsos da sua dívida. Independentemente dos desafios com que a economia global se depara, penso que é altamente improvável que o número dos incumpridores seja tão elevado nos próximos anos.

Penso que o risco de baixa com que os investidores em mercados emergentes se deparam, em termos das perdas potenciais que poderão suportar, está refletido em larga medida nos preços das obrigações após a sua queda recente.

Além disso, contrariamente ao que sucede com as obrigações de mercados desenvolvidos, com o nível de rendimento que as obrigações de mercados emergentes oferecem atualmente, há uma compensação pelo risco que os investidores estão a correr.

Ao mesmo tempo que as rendibilidades das obrigações dos mercados emergentes têm subido até aos valores mais altos registados desde 2008, as rendibilidades das obrigações dos mercados desenvolvidos têm evoluído em sentido contrário – caindo ainda mais e, em alguns casos, entrando em território negativo - dado que os investidores têm procurado o abrigo seguro que se considera que as mesmas proporcionam. Em finais de março de 2020, a diferença entre as rendibilidades disponíveis das obrigações do governo dos EUA e as dos governos de mercados emergentes atingiu o valor mais alto da última década.

Esta rendibilidade de um rendimento adicional proporciona aos investidores uma almofada contra quaisquer novas quedas nos valores em capital. Em minha opinião, também mostra que há oportunidades seletivas no longo prazo para investidores ativos em obrigações de mercados emergentes.

O desempenho no passado não é indicativo do desempenho no futuro.

O valor e rendimento dos ativos do fundo diminuirá e também aumentará, o que fará com que o valor do seu investimento diminua e aumente. Não há qualquer garantia de que o fundo alcance o seu objetivo, e o investidor poderá recuperar um valor inferior ao montante que inicialmente investiu.

O investimento em mercados emergente envolve um risco mais elevado de perda devido a maiores riscos políticos, fisc¬ais, económicos, cambiais, de liquidez e regulamentares, entre outros fatores. Podem existir dificulda¬des na venda, compra, conservação ou avaliação dos investimentos nestes países.

As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão.

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