Poderá o “impact investing” ser a chave da retoma?

30/07/2020

Ben Constable-Maxwell, Responsável de Investimento Sustentável e de Impacto

Para saber mais sobre a terminologia financeira utilizada neste artigo, visitar glossário.

À medida que atravessamos este período extraordinário da História, a extensão dos danos da pandemia do coronavírus torna-se cada vez mais alarmante.

Estamos, obviamente, bem cientes das vidas humanas que estão a ser ceifadas prematuramente pelo vírus, e dos custos financeiros resultantes do confinamento que foi introduzido como resposta ao mesmo. Mas as implicações económicas para as pessoas mais vulneráveis do mundo têm sido menos discutidas.

Os custos humanos da pandemia

Na última década, a percentagem da população mundial que vivia em pobreza extrema – definida como as pessoas que vivem com menos de 2 dólares por dia – diminuiu de forma constante, de mais de 10% para pouco acima de 8%.

A pandemia veio interromper esta tendência. As estimativas atuais calculam que entre 49 milhões e 420 milhões de pessoas poderão ser empurradas para a pobreza extrema como consequência do vírus.

Tal não constituirá certamente surpresa. Afinal de contas, a probabilidade de se sofrer de doença e de um impacto económico mais prolongado devido ao vírus e aos danos provocados ao crescimento económico mundial, será mais elevada entre as pessoas mais pobres do mundo.

Os países em desenvolvimento vão confrontar-se com uma muito maior dificuldade, ou talvez até impossibilidade, em pedirem dinheiro emprestado e o gastarem como o têm feito os governos mais ricos para amortecer o golpe sofrido pela atividade económica e, consequentemente, pelos rendimentos das famílias.

‘Sinais de recuperação’ para o ambiente

Talvez que o único lado bom deste terrível acontecimento seja o facto de o mesmo poder vir a transformar-se num ponto de viragem na batalha contra as alterações climáticas irreversíveis provocadas pelo homem.

Em abril de 2020, por entre políticas de “ficar-em-casa” aplicadas em larga escala no planeta, as emissões de gases com efeito de estufa baixaram para quase um quinto relativamente ao ano anterior. As emissões diárias de dióxido de carbono baixaram para níveis que não se verificavam desde a primeira década de 2000.

Apesar de ser reflexo de más notícias, esta redução é, em si, uma boa notícia. O sucesso dos modelos de negócio alternativos que recorrem mais ao teletrabalho e às cadeias de abastecimento locais, ainda que forçados pelas circunstâncias e não por escolha, poderá fazer acelerar as mudanças que são necessárias para colocar as emissões globais numa trajetória descendente.

O otimismo poderá ser contudo mitigado por indícios de que esta quebra pode ser apenas momentânea. Com efeito, as emissões voltaram a aumentar em maio e junho de 2020 à medida que partes do mundo foram despertando do confinamento.

Apesar de o ar claramente mais limpo ter sido saudado, mantém-se o desafio de reduzir as emissões anuais para limitar os aumentos da temperatura média a um valor claramente inferior a 2°C acima dos níveis pré-industriais, conforme definido no Acordo Internacional de Paris sobre as alterações climáticas em 2015

A oportunidade de “reconstruir melhor”

À medida que recuperamos economicamente da pandemia, temos uma oportunidade para pensar de que modo reformularíamos o modelo para criar uma prosperidade partilhada. Por outras palavras, como poderemos “reconstruir melhor”.

O caminho que escolhermos nos próximos meses terá implicações importantes para as gerações vindouras. Temos de garantir que a retoma seja sustentável e justa, incluindo medidas que apoiem o clima e aliviem a pobreza. O mundo deve, além disso, redobrar os esforços de proteção da natureza, designadamente perante as ligações que existem entre perda de biodiversidade e o risco de os vírus se propagarem de animais para humanos.

Nós, assim como outros investidores, podemos desempenhar um papel de apoio aos governos para que implementem políticas que apoiem uma retoma verde. Pela nossa parte, consideramos que tal iria na verdade ajudar os investidores de longo prazo. Em junho de 2020, a M&G Investments anunciou o seu apoio à carta do Grupo de Investidores Institucionais sobre as Alterações Climáticas que apelava a uma recuperação económica sustentável face à COVID-19 na UE.

Acredito que o “impact investing” poderá ser crucial para uma tal retoma. Ao investirmos em empresas que lidam com os desafios sociais e ambientais mais prementes do mundo, não podemos apenas pretender retornos financeiros, mas devemos procurar também desempenhar um papel de apoio a um futuro mais sustentável e mais justo.

O valor e rendimento dos ativos do fundo diminuirá e também aumentará, o que fará com que o valor do seu investimento diminua e aumente, e poderá receber menos do que inicialmente investiu.

As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão. Não nos é possível dar conselhos financeiros. Caso tenha qualquer dúvida sobre a adequação do seu investimento, deverá falar com o seu consultor financeiro.

Esta informação não é uma oferta nem uma solicitação de uma oferta para a aquisição de um investimento em acções em nenhum dos Fundos aqui referidos. As Aquisições de um Fundo deverão ter por base o Prospecto actual. O Acto de Constituição, Prospecto, Informações Fundamentais destinadas aos Investidores, Relatório de Investimento e Demonstrações Financeiras, estão disponíveis gratuitamente na M&G International Investments S.A. Antes de subscreverem títulos, os investidores devem ler o Prospeto, que inclui uma descrição dos riscos de investimento relativos a estes fundos. Esta divulgação financeira é publicada pela M&G International Investments S.A. Sede: 16, boulevard Royal, L 2449, Luxembourg. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, (a “CMVM”) recebeu a notificação do passaporte, nos termos da Directiva 2009/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho e do Regulamento da Comissão (EU) 584/2010, permitindo que o fundo seja distribuído ao público em Portugal.