Podemos investir responsavelmente em obrigações do Estado?

23/09/2019

Quando se trata de investir de forma responsável, há inevitavelmente discussões sobre os tipos de investimento que devem (ou não) ser considerados elegíveis. Muitas vezes, as decisões de investimento fundamentam-se nas características de um ativo numa ótica ambiental, social e de governação (ASG).

 

Queira por favor consultar o glossário para uma explicação sobre os termos de investimento utilizados ao longo desta secção.

No que respeita a investimentos em ações de empresas, ou em obrigações de empresas, os que dizem respeito a determinados setores podem ser totalmente excluídos devido à perceção relativamente aos efeitos negativos que podem ter na sociedade ou no ambiente. Há empresas individuais que podem ser excluídas das carteiras, talvez devido a má governação ou a atividades nocivas.

Quando se trata de investir em obrigações emitidas pelos governos, a gama alargada de atividades que essas obrigações abrangem poderá fazer com que seja difícil avaliar se as mesmas cumprem as definições tradicionais de investimento responsável.

Podemos investir responsavelmente em obrigações do Estado?

A solução certa terá de estar alinhada com as suas metas e necessidades, mas o investimento de algumas das suas poupanças tendo em vista gerar algum rendimento pode ajudá-lo a alcançar as suas metas sem ter de comprometer o seu futuro financeiro.

Concretização do bem público

Considero que é melhor considerar os benefícios que o investimento público e as políticas proporcionam ao longo do tempo, e propiciar o investimento em obrigações do Estado, em vez de nos focarmos nos aspetos negativos. A percentagem importante de investimento público que incide na prestação de serviços públicos, como os cuidados de saúde e a educação, faz com que os efeitos líquidos possam ser altamente positivos para a sociedade.

Obviamente que as múltiplas formas como os governos gastam as suas receitas fazem com que poucas possam ser consideradas irrepreensíveis à luz das interpretações mais estritas dos critérios de qualificação em matéria de ASG. Isto significa que alguns investidores podem preferir simplesmente não deter obrigações do Estado assentes no investimento público em determinadas funções como a defesa, que envolverá a compra de armamento.

No entanto, devemos também lembrar-nos que a maioria das receitas de qualquer governo provirão provavelmente da tributação, e não da venda de obrigações, o que dilui ainda mais as ligações entre obrigações do Estado e investimentos que possam ser considerados prejudiciais. Nos casos em que as atividades de um governo sejam consideradas benéficas para a sociedade ou para o ambiente através da regulamentação, considero que o investimento nas obrigações desse país pode ser totalmente compatível com uma abordagem ASG.

Importa notar que o investimento nas obrigações de um qualquer governo não deve, em circunstância alguma, ser visto como validação de um partido político em funções ou da sua agenda, ou como uma expressão de uma opinião política.

Avaliar o impacto

Antes de investir em obrigações do Estado, considero imprescindível que seja feita uma avaliação das características fundamentais que podem afetar a capacidade de um país para pagar e reembolsar a sua dívida, juntamente com o valor que qualquer investimento pode oferecer. Estas características incluem a sua política orçamental e monetária, as tendências económicas, assim como as intenções políticas e o ambiente social.

No entanto, por muito apelativos que os dados fundamentais possam parecer, qualquer governo deverá também superar uma avaliação detalhada em matéria de ASG. Um primeiro passo poderá ser examinar os emitentes através de classificações independentes que avaliem os governos numa série de métricas ASG, como fatores socioeconómicos e gestão financeira. Só os que cumprirem certos padrões continuam a ser candidatos a potenciais investimentos.

Estas classificações devem ser complementadas através de uma análise qualitativa adicional, em minha opinião, utilizando investigação de fontes idóneas. O objetivo é confirmarmos que um país cumpre certas normas em matéria de estado de Direito, direitos humanos e ambiente, entre outras considerações importantes.

Penso que os governos com alta classificação em termos de métricas ASG têm maior probabilidade de se traduzir em investimentos de menor risco. Afinal de contas, uma perceção de boa governação irá provavelmente refletir-se na capacidade e disponibilidade dos governos para cumprirem os reembolsos aos detentores das suas obrigações. De igual modo, a melhoria dos padrões de vida, dos cuidados de saúde e da educação fará aumentar o potencial crescimento de uma economia no longo prazo, reduzindo o risco financeiro para investidores que detenham obrigações de longo prazo desse país.

Demasiado importante para ser ignorado

A complexidade da avaliação das obrigações do Estado sob o ponto de vista ASG não é razão suficiente para nos furtarmos a investir nas mesmas. Considero que as obrigações doe Estado merecem inteiramente ser incluídas em carteiras avaliadas em termos de atributos ASG.

Primeiro, não há dúvida de que os governos têm um papel importantíssimo a desempenhar para moldarem de forma positiva os mesmos desafios que interessam aos investidores responsáveis. Do ponto de vista do investimento, são também uma categoria de ativos que podem desempenhar uma parte essencial numa carteira diversificada.

Quando pretendemos afetar investimentos a uma combinação de ativos globais para conseguirmos um equilíbrio apelativo entre risco e retorno, as obrigações do Estado podem ter um papel importante a desempenhar, que dificilmente pode ser substituído.

As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão.

O valor e rendimento dos ativos de qualquer fundo diminuirão e também aumentarão, o que fará com que o valor do seu investimento diminua e aumente. Não há qualquer garantia de que qualquer fundo alcance o seu objetivo, e o investidor poderá recuperar um valor inferior ao montante que inicialmente investiu.

Esta informação não é uma oferta nem uma solicitação de uma oferta para a aquisição de um investimento em acções em nenhum dos Fundos aqui referidos. As Aquisições de um Fundo deverão ter por base o Prospecto actual. O Acto de Constituição, Prospecto, Informações Fundamentais destinadas aos Investidores, Relatório de Investimento e Demonstrações Financeiras, estão disponíveis gratuitamente na M&G International Investments S.A. Antes de subscreverem títulos, os investidores devem ler o Prospeto, que inclui uma descrição dos riscos de investimento relativos a estes fundos. Esta divulgação financeira é publicada pela M&G International Investments S.A. Sede: 16, boulevard Royal, L 2449, Luxembourg. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, (a “CMVM”) recebeu a notificação do passaporte, nos termos da Directiva 2009/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho e do Regulamento da Comissão (EU) 584/2010, permitindo que o fundo seja distribuído ao público em Portugal.