O crash do coronavírus: Por que razão a alienação maciça de obrigações “high-yield” foi exagerada

27/03/2020

A liquidação global maciça a que assistimos em março de 2020 tem sido brutal. As obrigações “high yield” não foram exceção, sendo que muitos investidores têm procurado converter os ativos de maior risco em dinheiro no contexto da pandemia de coronavírus.

Para saber mais sobre a terminologia financeira utilizada neste artigo, visitar glossário.

Mas será que esta alienação foi exagerada? Eu diria que sim, criando uma oportunidade excecional para investidores que possam adotar uma visão a mais longo prazo.

Haverá más notícias ...

As obrigações de empresa "high yield" são, obviamente, as emitidas por empresas consideradas mais suscetíveis de incumprir ou, por outras palavras, empresas que não vão conseguir pagar juros ou reembolsar os titulares de obrigações na totalidade ao longo da vida da obrigação. Por definição, esperamos assim que alguns investimentos fracassem, mesmo em tempos bons.

Muitas empresas irão, sem dúvida, colapsar agora como resultado da quebra acentuada na atividade económica mundial, deixando os seus credores – entre os quais titulares de obrigações - a perder dinheiro. Alguns setores vão sentir a dor de forma especialmente aguda, sobretudo as companhias aéreas e o turismo.

As empresas de energia, em especial as que exploram e produzem petróleo e gás, estão também a enfrentar um golpe duplo resultante da queda na procura e aumento da oferta, que empurrou os preços mundiais do petróleo para valores abaixo de US$ 30 por barril. Em condições financeiras brutais, muitas empresas de energia – entre as quais as empresas produtoras de gás de xisto – irão certamente entrar em incumprimento relativamente ao pagamento da sua dívida. Dada a dimensão do setor da energia, este facto irá afetar as taxas de incumprimento em termos globais no mercado de obrigações "high yield".

… mas nem tudo são más notícias

No entanto, nem todos os setores irão sofrer com o declínio causado pelo coronavírus, em que os consumidores e trabalhadores têm de ficar em casa. As empresas nos setores da tecnologia e comunicação social, assim como os setores dos cuidados de saúde e embalagens podem, inclusivamente, conseguir resultados bastante bons.

Desde que os negócios não sofram destabilizações profundas, as empresas devem conseguir pagar o reembolso da sua dívida. O mesmo deve aplicar-se às empresas da Europa Ocidental e da América do Norte que consigam aceder a apoio suficiente por parte do governo para ajudá-las até a pandemia abrandar.

O grau de apoio ao nível das políticas prometido nas economias desenvolvidas para evitar o colapso económico não deve ser subestimado. Para além do apoio por parte do governo às empresas e do aumento da despesa orçamental para estimular a economia, os bancos centrais assumiram o compromisso de comprar obrigações.

É certo que as obrigações de empresa “high yield” não estarão entre as obrigações compradas diretamente, mas haverá um benefício traduzido numa repercussão gradual à medida que o aumento do preço das obrigações governamentais e das obrigações de empresa “investment grade” irão tornar as suas homólogas “high yield” mais convidativas, em termos relativos e, desde modo, apoiar a procura.

Uma oportunidade que ocorre “uma só vez num ciclo”

É impossível dizer quando é que os preços das obrigações “high yield” vão atingir o seu valor mínimo, ou se isso já aconteceu. Há muitas notícias más, e há mais a caminho. Mas estou convencido de que após a liquidação maciça indiscriminada que contraria a lógica, a perda para os investidores já deve ter sido descontada neste momento.

A queda dos preços fez aumentar as rendibilidades – o potencial rendimento anual de uma obrigação como percentagem do seu preço – das obrigações “high yield” até níveis não vistos desde a crise financeira global, há pouco mais de uma década. Todo o setor está a ser avaliado como se de dívida “distressed” se tratasse (obrigações de empresas que ou estão em falência ou na iminência de falir).

É imperativo recordar que o rendimento é, obviamente, um elemento chave dos retornos totais potenciais para os investidores em obrigações “high yield”. Os níveis de rendimento que atingem valores máximos numa década e que estão disponíveis através de cupões normais são, a meu ver, uma compensação justa para o risco aumentado de incumprimento.

Olhando para o mercado “high yield” no seu todo, os preços parecem refletir uma expectativa do pior cenário possível como resultado da atual pandemia. Os efeitos do vírus são uma realidade por demais evidente, mas o apoio orçamental e monetário dá à economia global uma boa oportunidade de evitar uma recessão prolongada.

Assim sendo, considero que as recentes perturbações no mercado geraram oportunidades para investidores "high yield" que só ocorrem uma vez num ciclo de mercado.

O desempenho no passado não é indicativo do desempenho no futuro.

O valor e rendimento dos ativos do fundo diminuirá e também aumentará, o que fará com que o valor do seu investimento diminua e aumente, e poderá receber menos do que inicialmente investiu.

As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão. Não nos é possível dar conselhos financeiros. Caso tenha qualquer dúvida sobre a adequação do seu investimento, deverá falar com o seu consultor financeiro.

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