O crash do coronavírus: navegando numa tempestade perfeita nos mercados

31/03/2020

Os últimos tempos têm sido alarmantes para os investidores. Para além das preocupações com a pandemia do coronavírus propriamente dita, as bolsas mundiais têm vindo a registar quebras dramáticas à medida que o vírus se alastra pelo mundo fora.

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Apesar de uma ação concertada por parte dos bancos centrais, que baixaram as taxas de juro para mínimos históricos e tencionam injetar dinheiro nos mercados, assim como por parte dos governos, que prometeram um enorme investimento de apoio às suas economias, há um estado de medo que continua a assolar os mercados.

Com as preocupações relativamente a um colapso no consumo e na produção a destruir a economia global e a empurrá-la para uma recessão (ou crescimento negativo), muitos investidores têm efetivamente procurado reduzir a exposição ao futuro. Quase todos os ativos de investimento foram vendidos ao desbarato de diversas formas, sobretudo as ações e obrigações de empresas.

Em vez de comprarem obrigações governamentais – na medida que seria expectável, em qualquer caso – os investidores lançaram-se numa corrida atrás do dinheiro, especialmente dólares dos EUA, como local seguro onde guardar a riqueza. E isto veio provocar uma tempestade perfeita para as abordagens de investimento diversificadas. Até a procura do ouro, outro abrigo seguro tradicional, não sofreu praticamente qualquer variação enquanto as bolsas afundavam.

Enquanto investidores que querem ultrapassar este período de convulsão, temos de perguntar a nós próprios até que ponto os mercados estão a ser impulsionados por factos ou pelo pânico dos investidores. Sempre que os preços dos ativos são ditados pelas emoções, a nossa experiência tem-nos mostrado que haverá oportunidades para quem tiver uma perspetiva racional e de longo prazo.

Avançar com cautela

À luz das medidas tradicionais, há muitos ativos globais que parecem, sem dúvida, estar baratos. Mas apostar neles pode ser difícil, num momento em que os lucros das empresas parecem tão incertos. Na verdade, a incapacidade dos investidores para atribuírem valores com confiança é, em parte, aquilo que está a impulsionar as flutuações a que temos assistido nos mercados.

Isto não significa que muitos ativos não representem valor agora. A escala da queda nas bolsas entre meados de fevereiro e meados de março de 2020, para além do seu caráter indiscriminado, mostra-me que não são só os dados fundamentais que estão a impulsionar os preços: o pânico também.

Até vermos sinais fortes de o valor a "penetrar" nos preços dos ativos (quando atingirem níveis de resistência em vez de continuarem a registar descidas continuadas), operaremos com cautela em segmentos específicos do mercado em que se verifiquem valorizações interessantes em vez de investirmos à escala geral.

Temos, sem dúvida, meses difíceis à nossa frente, e o sentimento negativo pode continuar a inibir os preços dos ativos, possivelmente até a fazê-los baixar ainda mais no curto prazo. Não temos como saber ao certo, o que significa que devemos avançar com cautela ao procurarmos agir relativamente a preços de ativos que pareçam distanciados do valor justo.

A luz ao fundo do túnel

Se olharmos para além dos próximos meses, penso que há razões para o otimismo. Em 18 de março, a China confirmou que não tinha quaisquer novos casos nacionais pela primeira vez desde o início do surto de coronavírus no país. Trata-se de algo claramente encorajador.

Eu argumentaria que, quando a crise sanitária tiver terminado, como esperamos, e o número de casos de coronavírus começar a abrandar, os investidores em todo o mundo voltarão a focar-se mais nos dados fundamentais. O mercado tem ignorado em larga medida os benefícios que as taxas de juro mais baixas e o aumento do investimento público poderão ter no estímulo ao crescimento económico depois de a crise abrandar.

Muito importante, a recessão em que estamos a entrar agora não é como a crise financeira global de 2008, que resultou de uma má alocação do capital no sistema financeiro. Desta vez, no início de 2020, enfrentamos uma recessão causada por um vírus que não reflete quaisquer desequilíbrios fundamentais na economia global.

A psicologia dos mercados pode continuar a prevalecer ao longo desta crise sanitária mundial, mas estou confiante de que trará oportunidades no longo prazo para investidores ativos que estejam dispostos a ir contra a maré.

O valor e rendimento dos ativos do fundo diminuirá e também aumentará, o que fará com que o valor do seu investimento diminua e aumente. Não há qualquer garantia de que o fundo alcance o seu objetivo, e o investidor poderá recuperar um valor inferior ao montante que inicialmente investiu.

As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão.

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