Foco nos dividendos imunes ao coronavírus

01/04/2020

O declínio global provocado pelo coronavírus no início de 2020 veio pôr abruptamente fim a uma década relativamente favorável para investidores de dividendos.

Para saber mais sobre a terminologia financeira utilizada neste artigo, visitar glossário.

Com centenas de milhões, senão milhares de milhões de consumidores e trabalhadores a serem forçados a ficar em casa para combaterem a pandemia, as empresas vão inevitavelmente ser postas à prova nos próximos meses. Para algumas, vai simplesmente haver menos dinheiro para distribuir aos seus acionistas sob a forma de dividendos. Para poucas, não haverá dividendos nenhuns.

À primeira vista, isto torna ainda mais difícil a conjuntura para os investidores de dividendos. Mas, para aqueles de nós que investem tendo em vista um rendimento crescente no longo prazo, a pandemia veio sem dúvida criar oportunidades.

A importância de ser seletivo

A liquidação global maciça a que assistimos nas bolsas em março de 2020 foi impressionante. Como resultado do “dumping” de ações de empresas por parte de investidores com o objetivo de gerarem fluxos de caixa, as avaliações não só estão reprimidas como, em minha opinião, estão extremamente baixas em muitos casos.

Uma das vantagens da volatilidade dos mercados é que cria oportunidades excelentes de compra de ações a preços muito baixos, falando em termos históricos. Após a venda maciça, há muitas empresas sólidas que têm sido negociadas com rendibilidades dos dividendos – o rendimento anual potencial dos dividendos como percentagem da cotação de uma ação – que atingem claramente dois dígitos. Tal era impensável apenas há alguns meses.

Numa conjuntura em que os cortes nos dividendos vão tornar-se mais comuns, chegou o momento de quem investe em rendimento ser mais seletivo. Vendo bem, as empresas mais sólidas vão estar mais bem equipadas para continuarem a remunerar os seus acionistas na conjuntura atual. A disponibilidade de liquidez nos seus balanços indica que as empresas estarão mais bem posicionadas para apoiar os seus dividendos.

Em contrapartida, eu teria receio de investir em ações de empresas que entram nesta recessão com um endividamento excessivo. Quando as empresas têm de restruturar a sua dívida, os acionistas ficam muitas vezes a perder quando são os credores a definir as condições ou ficam com direito de preferência relativamente aos ativos

Oportunidade para apostar na valorização

Olhando além das perspetivas de curto prazo, acho que é importante que os investidores que pretendem um rendimento crescente dos dividendos considerem a valorização a longo prazo que as empresas podem potencialmente alcançar.

A rendibilidade dos dividendos de uma empresa que está em crescimento rápido pode ser hoje relativamente baixa, mas se a empresa conseguir aumentar o seu dividendo de forma consistente ao longo do tempo, o fluxo de rendimento do investimento original pode acabar por tornar-se substancial em anos futuros.

As empresas que oferecem perspetivas fortes de crescimento são tipicamente cobiçadas pelos investidores, o que significa que muitas vezes tem de se pagar caro para se obter rendimentos no futuro. Em tempos como estes, quando os preços das ações registaram quedas generalizadas, há possibilidade de comprar esses títulos de crescimento rápido (cuja trajetória a longo prazo permanece intacta) a preços mais apelativos do que tem sido possível na história recente.

O perigo de calcular mal os tempos do mercado

Há sempre a tentação durante um declínio nas bolsas de tentar evitar mais dificuldades e esperar até have sinais claros de recuperação antes de investir ou reinvestir. Na realidade, é quase impossível saber com rigor qual o momento certo.

Apesar de ficar à margem perante a incerteza poder dar a sensação de ser a opção de menor risco, a história mostra-nos como a aversão excessiva ao risco pode revelar-se dispendiosa no longo prazo.

As bolsas podem ainda vir a cair mais antes de os investidores verem uma luz ao fundo do túnel. Mas quando recuperarem a confiança no futuro, penso que a recuperação do mercado tem não só potencial para ser significativa, como também para ser rápida.

Poderão decorrer dias, semanas ou meses antes de a recuperação começar. No entanto, se o investidor não tiver investimentos no momento de retoma dos preços das ações globais, a oportunidade ter-se-á perdido para sempre.

O desempenho no passado não é indicativo do desempenho no futuro.

O valor e rendimento dos ativos de um fundo diminuirão e também aumentarão, o que fará com que o valor do seu investimento diminua e aumente, e poderá receber menos do que inicialmente investiu.

As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão.

Esta informação não é uma oferta nem uma solicitação de uma oferta para a aquisição de um investimento em acções em nenhum dos Fundos aqui referidos. As Aquisições de um Fundo deverão ter por base o Prospecto actual. O Acto de Constituição, Prospecto, Informações Fundamentais destinadas aos Investidores, Relatório de Investimento e Demonstrações Financeiras, estão disponíveis gratuitamente na M&G International Investments S.A. Antes de subscreverem títulos, os investidores devem ler o Prospeto, que inclui uma descrição dos riscos de investimento relativos a estes fundos. Esta divulgação financeira é publicada pela M&G International Investments S.A. Sede: 16, boulevard Royal, L 2449, Luxembourg. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, (a “CMVM”) recebeu a notificação do passaporte, nos termos da Directiva 2009/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho e do Regulamento da Comissão (EU) 584/2010, permitindo que o fundo seja distribuído ao público em Portugal.