Encontrar os “ganhadores de amanhã”: Investir na disrupção

22/08/2019

A disrupção é inevitável. Está também em toda a parte, chegando a todos os setores, geografias, governos, empresas e consumidores. Está a mudar a forma como vivemos, e provavelmente só irá intensificar-se à medida que surgirem mais tecnologias avançadas.

 

Ritu Vohora, Diretor de Investimento, Ações, na M&G
Jasmeet Chadha, Analista de Pesquisa, Ações, na M&G

Queira por favor consultar o glossário para uma explicação sobre os termos de investimento utilizados ao longo deste artigo.

Enquanto as empresas tecnológicas são a ilustração perfeita da disrupção, a inovação rápida está a permitir abordagens radicalmente diferentes e a desafiar o domínio do mercado nos diversos setores.

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Num mundo de disrupção, haverá inevitavelmente os "disruptores” e os “afetados”. Um disruptor é uma empresa inovadora que desafia as perspetivas de crescimento de uma empresa concorrente que tipicamente tem um produto estabelecido e tem dificuldade em oferecer a mesma proposta de valor ao consumidor. O disruptor pode destruir os modelos existentes e mudar setores inteiros. A disrupção está a aumentar, ao mesmo tempo que as empresas procuram vantagens competitivas na era digital, onde o acesso mais fácil aos consumidores, facilitado pela internet, está a desafiar os antigos modelos de negócio.

São várias as formas como os disruptores podem provocar mudanças. Podem desafiar os concorrentes instalados através de:

  • Adotando um modelo de negócio diferente que proporcione um produto/serviço mais cómodo ou a custo inferior. Isto irá necessariamente canibalizar os modelos de negócio existentes. Um bom exemplo é a Netflix, empresa que apostou em segmentos da população que tinham sido ignorados pelos seus concorrentes e que disponibilizou a esse público um extenso catálogo de conteúdos por uma tarifa mensal reduzida. A Netflix acabaria por se virar para a gama alta, acrescentando conteúdos novos e exclusivos ao gosto dos clientes “mainstream”. O serviço por assinatura utilizou a distribuição via internet para disponibilizar aos consumidores conteúdos ilimitados em qualquer lugar, a qualquer hora, diferenciando-se do modelo “linear” tradicional dos serviços de televisão.
  • Evitando a concorrência direta dando atenção às necessidades dos diferentes consumidores finai. Por exemplo, os processadores ARM (e não os processadores x86, de melhor performance) acabaram por monopolizar o mercado dos dispositivos eletrónicos, pois focaram-se na simplicidade e numa maior duração da bateria através de um menor consumo de energia. Estas características eram as que mais convinham ao cliente em mobilidade.
  • Acelerando o ritmo da inovação. Consideremos o exemplo da SpaceX que, através de iterações rápidas, intensificou o ritmo do lançamento de foguetões, reduzindo ao mesmo tempo o custo por lançamento. Em 2019, a SpaceX lançou 19 satélites, quase o dobro da sua concorrente mais próxima (Arianespace).

Apesar de a disrupção poder representar um desafio para algumas empresas, pode também proporcionar oportunidades de crescimento e progresso. Para os investidores, encontrar os “ganhadores de amanhã" implica uma análise da base para o topo ("bottom-up") das empresas pelos seus próprios méritos para evitar pagar demasiado pelo potencial de crescimento futuro. Ao adotarmos uma abordagem ativa relativamente à seleção de títulos, e mantendo uma visão de longo prazo, podemos ter como objetivo aproveitar os benefícios da disrupção. Eis alguns pontos-chave a ter em mente:

Ser disciplinado. Ao procurar avaliar as empresas de forte crescimento, importa criar uma margem forte de segurança na avaliação, especialmente porque há uma incerteza particularmente forte relativamente à trajetória de crescimento dos ganhos. Outro aspeto a considerar é o custo da aquisição de clientes e o grau de adesão dos mesmos, com base na fidelidade destes à marca.

O fluxo de caixa é crucial. As receitas são fundamentais na avaliação de qualquer empresa. Se uma empresa tecnológica ainda não produz quaisquer fluxos de caixa, a comparação de outras métricas numa base “por cliente” pode ajudar a indicar o seu futuro potencial de receitas.

Foco na criação de valor. A identificação de uma tendência a longo prazo remete para a análise de setores e saber se, em última análise, está a ser criado valor. Se uma empresa consegue, ou não, gerar lucros no longo prazo depende, em larga medida, da sua capacidade para manter uma vantagem competitiva.

Quais os fatores considerados na cotação de hoje? As avaliações atuais estão a considerar expectativas demasiado altas de lucros no futuro? Apesar de a avaliação dos fluxos de caixa previstos fazer parte do processo de avaliação, também é importante olhar para o crescimento atual. Nesta base, o rácio price-to-earnings – uma métrica essencial que compara a cotação da ação de uma empresa com o seu lucro anual por ação – algumas das empresas tecnológicas podem não parecer caras considerando a sua taxa de crescimento. No entanto, as taxas de crescimento elevadas não costumam manter-se perpetuamente e as avaliações altas criam vulnerabilidade, razão pela qual a análise de cada ação individualmente pode revelar-se extremamente importante.

As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão.

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